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Não pense que o mundo acaba ali aonde a vista alcança. Quem não ouve a melodia, acha maluco quem dança.
— Oswaldo Montenegro.
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Eu devia ter vindo com um manual de instruções, as pessoas deveriam ser obrigada a lê-lo. Deveria ser escrito: Ela é teimosa. Quando você encher demais o saco dela, ela só vai dizer “tá bom”, isso não significa que concordou contigo, só está cansada de ouvir você falar. Ela respira ciúmes e transpira ironia. Não fique a provocando e testando sua capacidade. Se dizer que vai embora, pronto fudeu, você a perdeu. Ela é orgulhosa, se ela der o braço a torcer, não a deixe partir pois você é extremamente especial. Não insiste demais se ela estiver triste, só a abrace e diga que vai passar. É clichê, completamente idiota, vai te fazer rir mesmo quando ela estiver mal. Ela vai correr por você até o fim se tu der uma prova de que apenas caminhará do lado dela. Ela tem sempre razão e falta de tempo. Odeia estudar, gosta de ir pra escola mas não gosta de acordar cedo. Tem mau humor diário, mudanças de humor repentinas. Ela é estranha, tem umas manias esquisitas. Ela vive fazendo caretas, arranja as desculpas mas esfarrapadas possíveis. Engana os professores. Ela é a preguiça em pessoa. Ela tem amores platônicos, ciúmes do ídolos, livros, filmes, séries de TV, mensagem, animais, amigos, pessoas, estranhos, do ar que respiram […] Ela é possessiva. Chora sem motivo, e é tão dramática que até chega a comover. As vezes, mente que nem sente. Ela adora pessoas que permanecem, são completas, a transbordam, sabem rir, ela adora pessoas de verdade. Ela gosta de sair, porém ama ficar em casa. Ela é enjoada, nojenta, marrenta, cheia das fases, gostos e tudo mais. Ela gosta de ouvir, mas também ama quando a ouvem. Ela explode as vezes, ela é complicada feito cabeça de quinhentas peças quase impossível de se montar. Ela até parece um livro velho, amarelado e com uma história sem graça pra contar, mas se você ler pode se surpreender […] Acho que se o manual de instruções como lidar comigo me acompanhasse, as pessoas não desistiriam tão fácil de mim.
— Mas gente difícil deveria vir com manual de instruções. metafora-s.
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É que eu sou uma pessoa difícil de lidar, de conviver, de amar.
— Querido John.
“Eu preciso muito deixar acontecer o momento da renovação, trocar de pele, mudar de cor. Tenho sentido necessidades do novo, não importa o quê, mais que seja novo, nem que sejam os problemas. Preciso deixar a casa vazia para receber a nova mobília. Fazer a faxina da mente, da alma, do corpo e do coração. Demolir as ruínas e construir qualquer coisa nova, quem sabe um castelo.”
(Caio Fernando Abreu)
Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-íris da cartola. E refaço. Colo. Pinto e bordo. Porque a força de dentro é maior. Maior que todo mal que existe no mundo. Maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem. E nisso, sim, acredito até o fim.”
(Caio Fernando Abreu)
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Hoje é dia de mudar de casa, de rua, de vida. As malas sufocam os corredores(…) Amanhã é dia de nascer de novo. Para outra morte. Hoje é dia de esperar que o verde deste quase fim de inverno aqueça os parques gelados, as ruas vazias, as mentes exaustas de bad trips. Hoje é dia de não tentar compreender absolutamente nada, não lançar âncoras para o futuro.
— (Caio Fernando de Abreu)
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Acho que a gente tem que vencer. Ou lutar. E ficar bem. Feliz. Criar. Fazer. Se mexer. Odeio autodestruição… Não suporto o fracasso deliberado, não suporto a covardia. É meio cruel, mas não suporto.
— (Caio Fernando Abreu)